A imagem na fotografia analógica

 

 

Verificam-se duas inversões do objeto fotografado no material sensível existente nas câmeras fotográficas quando da formação da imagem.

 

Uma de natureza geométrica devido à estrutura da câmara escura. A imagem do objeto é invertida horizontalmente e verticalmente.

 

A segunda inversão é do ponto de vista físico-quimico devido a interação da luz com a emulsão do papel fotográfico ou do filme.

 

A luz sensibiliza a emulsão transformando os sais de prata em prata negra. Assim o que era branco no objeto fotografado torna-se escuro e o que era escuro fica branco na imagem registrada, o mesmo se dando com os meios tons.

 

 

 

1 - A imagem invertida na câmara escura

 

 

Câmara escura#1.jpg

 

 

 

Na câmara escura a imagem dos objetos é formada na parede oposta àquela que contém o orifício. Os raios de luz provenientes do objeto penetram no orifício seguindo direções que invertem geometricamente as posições do tema fotografado.
 

O mesmo se verifica no olho humano e nas câmeras fotográficas; a imagem do objeto observada é invertida. Um dispositivo simples que permite visualizar essa imagem é o visor pinhole mostrado na figura abaixo à esquerda.

 

 

 

VisorPinhole_1.jpg
Imagem_Invertida2_Aguinaldo_Rocha.JPG

fotos de Agnaldo Rocha

 

 

 

2 - A imagem invertida no papel fotográfico


O papel fotográfico e o filme acetato são revestidos por sais constituídos por moléculas de brometo de prata (AgBr) que têm uma estrutura cristalina (cúbica). Os átomos de bromo e prata estão localizados nos vértices desse cubo. Esses sais, chamados haloides, são tão pequenos que não são vistos a olho nu. Quando são sensibilizados pela luz, os sais reagem registrando uma imagem latente e invisível no papel.

Nota: o papel fotográfico de que estamos falando não é o mesmo utilizado em impressoras jatos de tinta.

 


A imagem latente formada no papel fotográfico e nos filmes é invisível

Quando os haloides são sensibilizados ocorre uma interação entre a luz e o material sensível do papel ou o filme. Essa interação pode ser traduzida, simplificadamente, pelas reações físico-químicas:

 

 

  • i.  Br- + h = Br + e

  • ii.  corrente eletrônica de elétrons livres

  • iii.  Ag+ + e = AG (prata metálica)

 


Br- íon de Bromo; h = fóton de luz; e = elétrons livres; Ag+ = íons de prata

 

 

Os haloides recebem fótons de luz; liberam elétrons que circulando pelo papel ou filme reagem com os íons de prata transformando-os em prata metálica. Como a proporção é de um átomo de prata metálica para dez milhões de moléculas de brometo de prata a imagem fica latente até que na revelação os haloides não sensibilizados pela luz sejam eliminados deixando surgir o negativo, que tem uma imagem escurecida devido à prata metálica.

 

Para que a imagem se torne visível ela tem que ser revelada.

 

 

 

 

 

Abaixo temos um exemplo prático mostrando as inversões geométrica e físico-química das imagens analógicas obtidas nas câmeras fotográficas.

 

As imagens 2 e 3 são a mesma imagem do objeto fotografado, imagem 1, e mostram a inversão geométrica vertical e horizontal no negativo; a imagem 3 foi rotacionada para facilitar a observação.

 

Percebe-se a inversão físico-química das cores do negativo em relação ao objeto fotografado: tons escuros no objeto são claros na imagem.

 

 

 

ZeRoiaSesc.jpg

                                                                       imagem 1                  i magem 2                    imagem 3

 

 

Para visualizar a imagem invertida na prática: o visor pinhole

 


Material:

  • tubo, cabaça, caixa ou lata, utilizados para construir uma câmera escura; 

  • Papel vegetal.

  • Papel cartolina preto


Fecha-se uma das extremidades com material contendo um furo e a outra extremidade com papel vegetal; cobre-se o conjunto com papel cartolina preto ou pano escuro e aponta-se o visor para objetos, observando-se a formação da imagem no papel vegetal.